MENSAGEM AOS PROFESSORES

No dia 14 de outubro aconteceu, na Catedral Metropolitana de Campinas, a missa em Ação de Graças pelos professores. Dezenas de mestres celebraram a eucaristia e receberam uma bênção especial por ocasião do “Dia dos Professores”, celebrado no dia 15 de outubro.

Segue abaixo a mensagem do Monsenhor Rafael Capelato dirigida a todos os professores!

 

MENSAGEM AOS PROFESSORES!

A Palavra de Deus deste 28° Domingo do Tempo Comum é um convite a abraçarmos a sabedoria, que é o próprio Deus. Viemos de Deus e para Ele voltaremos. Se temos em Deus nossa origem e nossa meta, então abraçar a sabedoria significa trilhar a Sua vontade a nosso respeito. O ser humano, fazendo uso de sua inteligência, deve discernir que os caminhos de Deus são a verdade e o amor. O Evangelho de hoje nos apresenta um homem em busca de plenitude, de realização, de felicidade, de salvação. Trata-se de alguém cujo nome não é citado. Ele é imagem de todos nós que, num caminho de contínuo aprendizado, buscamos compreender o sentido da vida em Deus. Jesus lhe recorda os mandamentos e, como coroamento dos mesmos, o desafio de despojar-se do apego aos bens materiais e às suas próprias seguranças para abraçar o amor-doação. Viver a sabedoria em Deus é descobrir que, superando o egoísmo e a mesquinhez, vivendo para o próximo, alcançamos nossa plenitude. O ser humano apegado aos seus bens e suas próprias seguranças não entra na dinâmica de Deus, não atinge a meta para a qual foi criado. A Palavra Divina nos educa para a sabedoria, para a entrega da vida na experiência do amor-doação.

A Igreja reconhece, respeita, valoriza e abençoa o trabalho realizado pelos professores e professoras. Hoje, de modo especial, queremos dirigir-lhes uma palavra de incentivo e reconhecimento da beleza de educar. Eis alguns lembretes importantes aos nossos professores:

1) O amor à vida, dom de Deus, é o que leva alguém a ensinar! É preciso ajudar o desenvolvimento da razão de cada pessoa; é preciso suscitar o conhecimento como caminho de amor à vida, de realização pessoal e de cooperação no desenvolvimento da sociedade humana. Educar é uma questão de amor.

2) É preciso educar o ser humano em sua integralidade! Sim, o ser humano não é apenas dotado de razão, mas também de vontade, de sensibilidade, de espiritualidade. O pleno desenvolvimento humano consiste em aguçar o raciocínio para os empreendimentos teóricos e técnicos, educar os impulsos da vontade para querer o bem e o crescimento ético, desenvolver a sensibilidade do cuidado da vida, da beleza, das artes; respeitar e aprofundar a espiritualidade, a transcendência, sem a qual o ser humano não descobre sua própria identidade. Sobretudo é preciso dizer que fé e razão não se opõem. Fé e razão são duas asas pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade. A religião não é inimiga do homem de razão. Religião não é ópio que aliena o ser humano. Religião, fé, transcendência, espiritualidade, permitem ao ser humano elevar-se ao mistério de sua verdadeira origem e meta, elevar-se à salvação que é alegria plena em Deus. A educação que alija a fé e a religião em nome do Estado laico, erra gravemente reduzindo o ser humano a um cérebro cujo potencial de armazenamento de informações é extraordinário, mas gerando pessoas imaturas, incapazes de lidar com suas vontades e sentimentos, incapazes de se relacionarem e monstruosamente presunçosas como deusas de si mesmas.

3) Jesus Cristo é nosso modelo! Espelhemo-nos Nele! O Filho de Deus que assumiu a nossa humanidade, fazendo-se igual a nós em tudo exceto no pecado, é nosso modelo de vida. Jesus nos explica os mistérios do Reino com uma profunda pedagogia; ele usa parábolas empregando elementos do cotidiano da vida das pessoas. Jesus suscita o conhecimento de Deus e de seu Reino; Ele modela a força da vontade presente em cada ser humano para leva-los a querer, a desejar, a vontade de Deus. Jesus age nos sentimentos das pessoas: perdoa os pecadores, consola os que choram, se alegra com os que riem. O encontro com Jesus gera nas pessoas uma nova sensibilidade. Ele faz ver os lírios do campo, as aves do céu. E os que acolhem a Deus, como Maria, entoam as maravilhas de suas obras, num hino de louvor. Ele ensina os seus a rezar; ensina-lhes o Pai-nosso: oração de todos os que aceitam a Deus em suas vidas.

4) Aprender com a pedagogia de Jesus, eis nossa vocação. Jesus sabe que cada pessoa tem em si a capacidade da plenitude; mas ele fala com autoridade – não com autoritarismo – corrige os erros sem perder o amor pelos que erram. Ele ouve, dialoga, ensina a verdade e ama

todos os que com Ele se encontram. Ele, Jesus, é nosso Mestre por excelência. Na escola de Jesus aprendemos a ser de Deus para sermos verdadeiramente humanos; capazes de amor a Ele e ao próximo, destinados à plenitude da salvação.

5) Santa Teresa D’Avila é a padroeira de todos os professores justamente porque trazia em si mesma um anseio muito grande por conhecer a Deus. Buscando avidamente a leitura da Palavra e dos Mestres de espiritualidade, ela tornou-se grande pedagoga a orientar o ser humano no conhecimento de si e no conhecimento de Deus. A Igreja a proclamou Doutora da Igreja, em 1970. Foi a primeira mulher a ser declarada doutora em matéria de fé, graças ao grande Papa Paulo VI que, no dia de hoje, está sendo canonizado em Roma.

Deus abençoe todos os professores. A Igreja tem esperança em todos vocês! Não tenham medo e nem vergonha de serem professores cristãos e católicos conscientes e convictos. Isso em nada fere o competência profissional de vocês. Antes, a fé cristã é um grande diferencial, um salto de qualidade no importante exercício de formar o ser humano integral e de levar todos à verdadeira sabedoria.

Monsenhor Rafael Capelato

Pároco da Catedral Metropolitana de Campinas

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